GENEALOGIA DA MORAL, uma polêmica – Friedrich Nietzsche

Prezados, como vão?

Espero que bem.

Apesar do relativamente longo tempo sem postar novidades no blog, hoje trago um livro polêmico, como sugere o próprio nome do livro.

A obra é do Alemão Friederich Nietzsche, crítico em especial das religiões ao que tudo indica. Ressalto, não sou nenhum especialista nas obras do autor, haja vista que o primeiro livro que li dele, foi este do qual trago algumas informações.

O que trago aqui é, obviamente, o que pude extrair do livro, não minha crença religiosa que permanece intacta, não obstante os argumentos extremamente relevantes propostos pelo autor da obra. Todavia, tais críticas, não creio que sejam contrárias ao transcendente, mas sim, ao modo de utilização junto ao povo.

Aqui irei expor em tópicos, para se ter uma limitação de cada ponto explicitado. Todavia, a obra Genealogia da Moral se concatena em suas 3 dissertações, quais sejam, Bom e Mau, Bom e Ruim; Culpa, Má consciência e coisas afins e; O que significam ideais, ascéticos?.

  1. Inicialmente temos uma afirmação de que o bem e mal historicamente foi concebido por poderosos, não do fato de algo em si ser ou não bom. Tal diferenciação criada por poderosos – aqui Nietzsche fala de sacerdotes – trouxe transtornos à alma humana, fazendo-a ser tão complexa como é.
  2. A diferenciação e exaltação dos humildes, de acordo com o autor, foi algo planejado pelos Judeus, para elevá-los como povo de relevância. Entendimento este, repito, extraído da obra do Autor, não quero me complicar aqui neste ponto!
  3. Ainda sobre suas diferenciações, o autor propõe que o ódio é destilado por aqueles que são ressentidos, pessoas fracas de um modo geral, pois o nobre, o forte, não alimenta ódio em face de seu inimigo, mas o respeita como um inimigo a se venerar e não desprezar. Aqui creio que o autor tenta demonstrar que aquilo que é diferente não deve ser odiado, mas respeitado.
  4. Nesse sentido o fraco seria fraco por natureza, tentando de forma voluntária, estabelecer para que os fracos não sejam iguais aos fortes e poderosos, pois estes seriam maus. Ou seja, o que é diferente do que sou é ruim.
  5. Em outro contexto, Nietzsche afirma que o contrato derivaria justamente da necessidade de vingança, uma espécie de compensação pelo erro do outro pois, antigamente quando alguém deixasse de cumprir o combinado, algo era exigido em troca, normalmente um castigo físico e, tal castigo, seria também uma forma de humilhação daquele que deve. De fato, o argumento utilizado é de grande relevância a meu ver, pois o contrato não foi uma ideia concebida já nos primórdios e, sua evolução, de fato, apenas limita a forma de vingança a algo não corporal. Assim, no direito, o castigo deixa de ser físico, mas assume inúmeras roupagens, como o pagamento, constrição de bens.
  6. Também pode-se ter a ideia de que a consciência é imposta com base em castigos, pois há uma avaliação prévia do ato a ser cometido e, consequentemente, tem-se medo do castigo, domando o homem, não o tornando melhor. Tal argumento também se mostra interessante, pois, o medo de determinado castigo apenas limita a atuação (quando a limita, pois atualmente, ninguém possui mais medo do castigo), o castigo em potencial não torna o homem melhor, mas realmente o limita em relação a seus instintos mais primitivos.
  7. Com as limitações ao homem pelo estado, cria-se a doença do homem com a má consciência, pois toda vontade natural do homem é suprimida sem se levar em conta que, a própria limitação imposta pelo estado se deu de forma violenta, justamente a violência que o estado visava coibir. Aqui vemos que a própria criação do Estado é violenta, pois para se formular, ele precisava de alguma forma de limitação e, essa limitação, inicialmente se dava com base na força.
  8. A má consciência deriva também dos primórdios, onde era necessário compensar os Deuses com sacrifícios. Assim, aquele ancestral que detinha o poder ficava mais forte, pois os mesmos eram tidos como emissários dos deuses e, como tais, respeitados. Caso não fossem ouvidos, a má consciência de certa forma imposta, “atacaria a alma humana”.
  9. Em uma vertente religiosa e aqui mistura-se com o contrato, o autor coloca que o cristianismo, para fortalecer a ideia de Deus, coloca o credor se sacrificando em favor dos devedores, ou seja, Jesus morre para “pagar” a dívida dos homens. Com isso os homens limitam sua animalidade com base no pensamento em Deus.
  10. Consequentemente, o homem perigoso não é o forte, mas o que se apequnina, que está farto de si, onde há o autodesespero, trazendo a vingança, o rancor e a malévola conspiração. Para estas pessoas, sua vitória estaria justamente quando introduzissem nos outros sua tristeza e o envergonhamento de sua felicidade.
  11. O autor afirma que, onde há o maior número de doentes, no sentido acima exposto, é na igreja, pois buscam a cura de algo imposto a si mesmos. A meu ver, tal crítica é dirigida à forma como muitas religiões impõem as coisas e não necessariamente à negação de Deus.

Bom, particularmente entendo que muitas da considerações de Nietzsche são extremamente válidas, em especial a ideia do contrato como vingança e da ideia de que aqueles que se menosprezam são aqueles que mais chances possuem de confabular visando o prejuízo alheio.

Obviamente, são considerações mínimas de minha parte para uma obra de tão relevante filósofo.

Faço ainda referência que a dissertação “O que significam ideais, ascéticos?” foi a mais complexa das 3. Inclusive fiz apenas 1 ou 2 apontamentos sobre essa parte, tamanha a complexidade de sua leitura (a meu ver, claro).

Enfim.

É uma obra densa, com considerações de relevância e nas quais devem ser lidas com cuidado para se compreender bem.

Obra muito indicada!

Espero que tenham gostado da resenha.

Grande abraço.

Bráulio.

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